Itajaí inicia projeto inédito para tratar dependentes de crack e cocaína com homeopatia


A prefeitura de Itajaí e a Univali lançam nesta quinta-feira o cronograma de trabalho e o início da preparação dos profissionais que participarão do CocaCrack 3, projeto-piloto para oferecer tratamento homeopático a viciados em crack e cocaína. A medicação, feita com folhas de coca, reduz a “fissura” pela droga.
A homeopatia poderá garantir que o usuário se livre das drogas sem os sintomas clássicos de abstinência, que fazem com que muitos desistam do tratamento no meio do caminho. O projeto é pioneiro no país e testará o tratamento alternativo em 120 pacientes.
A pesquisa foi desenvolvida com base em estudos do médico e pesquisador Ubiratan Cardinalli Adler, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em São Paulo. Estudos semelhantes já foram feitos nos Estados Unidos e aplicados, com sucesso, em pacientes na Bolívia.
A coordenação do projeto aguarda a liberação de US$ 100 mil para a pesquisa, que virá por meio da Organização Panamericana de Saúde (Opas). O recurso é do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde.
A expectativa é iniciar os tratamentos em fevereiro. Até lá, universidade e prefeitura trabalharão no que a professora Liege Maria da Cunha, da Univali, considera um dos grandes ganhos da pesquisa: trazer as práticas integrativas para a rede de tratamento dos transtornos causados pela cocaína e o crack, que hoje se concentram no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
A mudança de protocolo exigirá, nos próximos meses, treinamento dos profissionais da atenção básica de saúde para selecionar pacientes e coletar os dados da pesquisa. O projeto é fruto de uma cooperação técnica entre prefeitura, Câmara de Vereadores, Conselho Federal de Medicina, Univali e órgãos ligados ao Ministério da Saúde, como a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.
Se o resultado de Itajaí for positivo, o modelo de tratamento será levado à saúde pública em outras cidades no país.

Mais humano

Quando o projeto estiver em funcionamento, a intenção é ter um consultório na rua, que atenderá os dependentes no ambiente onde eles estão. A professora Liege, da Univali, diz que essa é uma oportunidade de ver o drogadicto em sua realidade.
_ Essas pessoas perderam a rede de apoio, então queremos ser a rede. A história não começou ontem, é resultado da história de vida dele em que a droga entra como suporte, para suportar o insuportável. Queremos algo fora daquele estigma de polícia, de marginal.

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